terça-feira, 12 de maio de 2015

O “pequeno-grande” Cérebro



O nosso cérebro é um conjunto de sistemas corporais essenciais à vida e também onde se processa os saberes acumulados e as emoções vividas. Considerando-se que o cérebro, a mente humana, com seus bilhões de neurônios é o “equipamento” capaz de aprender e a reter conhecimentos, além de ordenar os sistemas orgânicos, é claro que precisamos cuidar, e muito, dessa maravilha.

Se considerarmos que a mente humana vem ao mundo pronta para aprender, através da forma ativa de conexões entre os neurônios e que durante os primeiros anos de vida as experiências de uma criança operam mudanças estruturais em seu cérebro, nos faz entender que a importância desses primeiros anos de vida se torna essencial. Considerando-se também que a criança em pleno desenvolvimento cerebral estende essa vivência em toda a primeira infância, é claro que temos que estar atentos as influências do mundo externo e o impacto emocional e de aprendizagem em suas vidas.

As pesquisas sobre o desenvolvimento cerebral têm algumas implicações importantes para pais e mães que eu quero compartilhar com vocês. Estudiosos no assunto dão importantes dicas para que cuidemos com carinho do mundo externo de nossas crianças, para que as respostas no “mundo cerebral” sejam satisfatórias. Aqui seguem algumas recomendações da neurociência para nos ajudar nessa tarefa:
  • Mantenha as crianças bem nutridas e saudáveis. Uma dieta saudável e nutritiva é mais do que recomendado;
  • Desenvolva com seus filhos uma relação afetuosa. O bom relacionamento familiar é o alicerce sobre o qual eles construirão a própria vida;
  • Aprenda a reconhecer as necessidades individuais de seus filhos. Brinque com os pequenos e ensine-os a acalmarem quando necessário;
  • Converse com os seus filhos e leia para eles. A interação com você é essencial para o bem estar deles;
  • Incentive-os a explorar o mundo, incluindo-os no universo de outras crianças. O mundo é deles e para eles;
  • Estabeleça uma rotina e imponha uma disciplina. O cérebro exige organização sistêmica para operar em sua totalidade;
  • Envolva-se na educação de seus filhos. Não seja obsessivo, apenas acompanhe;
  • Diga sempre coisas agradáveis aos filhos e elogie o desempenho de cada um.
O que buscamos aqui é oportunizar um ambiente saudável e seguro para que nossas crianças possam desenvolver a sua inteligência emocional. É essa inteligência entre as inteligências múltiplas que hoje mais define o padrão de pessoa e sua capacidade de se relacionar com pessoas e situações problemas em toda a sua vida.

Como somos parceiros nas buscas que tangem a felicidade de nossas crianças, a sua boa formação e sociabilidade, me convém convidá-lo(a) a um entendimento importante: só teremos sucesso com os nossos filhos, se estivermos bem conosco mesmo! Assim, as dicas aqui dadas se tornam fáceis e nossa meta é facilmente atingida. Ser pai ou mãe é uma das tarefas mais gratificantes que existem. Também é uma das mais difíceis. Tenho meus filhos e claro, muitas dúvidas também. O dia-a-dia nos afasta de nosso foco principal que são eles. Muitas vezes, na nossa correria, utilizamos o pouco tempo que temos para eles, nos desgastando, debatendo e brigando, ao invés de brincarmos, amarmos e orientá-los. Vamos exercitar a nossa tolerância e dar a eles pouco tempo que temos com sabedoria e paz.

O psicólogo Neozelandês Nigel Latta, autor do livro Por dentro da cabeça do seu filho, (Editora Fundamento) é hoje o neurocientista mais respeitado no mundo. Com várias publicações acerca do comportamento cerebral e a influência do ambiente em crianças, aposta na tese de que adultos felizes foram ontem, crianças felizes. Sabendo que somos responsáveis pela felicidade de nossos filhos, certamente sabemos também que seremos responsáveis pela felicidade deles na vida adulta. Assim, vamos nos dedicar mais a necessária atenção à nossas crianças.


Maria me cativou



Estamos em Maio, mês dedicado à Maria e às mães. Sinto-me abençoado por ainda ter minha mãe entre nós, sempre me acolhendo com carinho. Nesta época, em que a Escola se dedica principalmente em homenagear as mães, lembro muito de uma música do Pe. Zezinho, conhecida pelo nome “Maria de Nazaré”. Linda! Desde minha infância ouço essa música e ainda costumo cantá-la para meus filhos no momento de Boa Noite. Para mim é uma prece que eleva a Mãe Maria e também a todas as Mães de nossa era.
Nessa linda música há uma parte que dedico a você mãe: “... em cada mulher que a terra criou, um traço de Deus Maria deixou, um sonho de mãe Maria plantou pro mundo encontrar a paz...”
Nesse dia que escolhemos para celebrar a graça da Maternidade e o dom da Vida, dedico às Mães do SEB Maceió todo carinho e respeito de toda a nossa equipe. Nós reconhecemos a grandiosidade do amor de cada uma de vocês e, mais do que isso, reconhecemos em cada uma de vocês uma parceria para que o nosso objetivo final seja atingido: formar nossas crianças com habilidades, competência e humanismo para que possam assim crescerem felizes na vida.
Mãe, eu peço a Deus todos os dias através da interseção de Maria Mãe de Jesus, muita saúde e sabedoria para que você cumpra com segurança a maravilhosa tarefa de gerar vidas e formar pessoas para o mundo.


Feliz Dia das Mães!


quinta-feira, 30 de abril de 2015

Somos produtos de nossa mente



Ao escrever os meus ensaios e compartilhar semanalmente com você, a minha intenção é de fomentar um momento de reflexão acerca das experiências que venho acumulando ao longo de 34 anos de dedicação à educação. Claro que soma-se a essa vivência, a minha condição de pai e mais recentemente de psicanalista. A ideia é mesmo convidar você a parar alguns minutos de seu dia para pensar sobre a educação de seus filhos, as suas práticas e os seus olhares. Sinto-me comprometido com essa causa, pois sei que nada posso fazer com as crianças, se não atingir também os seus lares.
Hoje dirijo-me a você com um tema novo, que ainda não abordei: o poder de nossa mente, à força da imagem mental e a capacidade construtiva do nosso pensamento positivo. Sei que há polêmica entre a “autoajuda” e a “ciência mental”, mas meu objetivo não é buscar aderência à polêmica, mas compartilhar com você um olhar diferente sobre a força do pensamento em nossas vidas. Há anos acredito sim, que nós somos produtos de nossa mente. Eu sempre acreditei que com ideias positivas, nossa mente nos trás saúde e ascensão. Aceito com tranquilidade a tese de que o pensamento é uma força e que doença e falta de possibilidades se originam na mente. Para mim, o pensamento positivo tem um efeito criativo e enriquecedor. Mas, certamente você deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com a educação de meu filho? Pois é, tem sim! Se você cultiva um padrão mental positivo e passa isso a seus filhos, é claro que está contribuindo para que eles vejam o mundo de forma positiva. Padrão mental negativo, ao contrário, submete às crianças as incertezas, baixa autoestima e a uma série de comportamentos conflituosos. Nossos filhos devem ser alegres, positivos e crentes de que podem vencer os seus desafios, superar as dificuldades e ter confiança para vencer as adversidades que nos ameaçam constantemente. Pensamento positivo gera certeza, confiança, força de vontade e alegria na vida.
Crianças com padrão mental positivo, com certeza atingirão o sucesso. Precisamos acreditar nisso para que tenhamos mais um componente aliado na educação de nossas crianças. Qual é o padrão mental que mais desejamos para os nossos filhos? A felicidade? Lembra-se que precisamos informar a nossa mente, e sempre, o que de fato queremos para nós e para a nossa família. É a mente que tem a tarefa de comunicar as nossas pretensões e emoções ao nosso coração.
Minha alegria de compartilhar com vocês este aprendizado é muito grande. Quero muito poder sempre passar algo bom e positivo para você Pai e Mãe de nosso século. Eu sou testemunha da sua luta e do desejo de todos em verem seus filhos bem e acolhidos. Todas estas novidades interessantes que divido com você, estão na obra Seu Poder Invisível de Geneviève Behrend, editora Clio. Geniviève é um autor renomado e considerado um dos “papas” da Neurociência. São saberes estudados a partir da mente humana, essa caixinha de milhões de compartimentos que estão sendo abertos e lidos, para maior compreensão do ser humano.


A lição (de casa) nossa de cada dia



Quando falo com os pais sobre tarefa diária, percebo que para muitos é um tormento. Orientar os filhos nas lições de casa, após um dia de trabalho, é uma missão difícil. Mesmo os pais que têm disponibilidade, e até mesmo os que gostam de auxiliar as crianças, encontram algum tipo de dificuldade. Muitos ficam confusos, explicam de forma diferente do professor, irritam-se por ter que fazer pesquisa na internet e, por fim, acabam se estressando com a criança e com a escola.
A lição de casa é parte essencial do processo de aprendizagem. É o momento em que a criança resgata as orientações dos professores e aplica o que foi ensinado, conseguindo reter o conteúdo. A tarefa obriga o contato diário com o conteúdo estudado em sala. Não há como fazer isso de outra forma. O que se faz necessário é uma melhor organização por parte da família, no sentido de garantir um tempo ideal para a execução das tarefas.  É preciso aceitar que o filho está em processo de aprendizagem. É essencial perceber se o problema está mesmo na dificuldade da criança, ou se na tentativa de orientar a mesma não se está criando mais e mais dificuldades. Dar autonomia à criança e respeitar seu tempo é fundamental para o sucesso da atividade.
Procure um ambiente tranquilo quando for ajudar o seu filho. Garanta um horário fixo e respeite incondicionalmente esse horário. Não permita que haja interrupções e providencie para que nada tire a atenção da criança. Tenha às mãos um dicionário, o material multimídia e os livros. Disponibilize lápis e borracha para não ter que sair e procurar. Auxilie a consulta, mas jamais faça para a criança. Lembre-se de que ela necessita de autonomia. Fazer para a criança, seria a mesma coisa que tomar remédio no lugar dela, quando o médico receitar. Mantenha a calma, fale baixo ao dirigir-se a ela. Faça menção ao progresso do seu filho e incentive o capricho. Se parar para pensar, perceberá que esse momento pode vir a ser também um momento de afetividade e observação. Você irá conhecer ainda mais seu filho, passará segurança e ajudará na organização interior dele.
É muito natural que a criança, nos primeiros anos escolares, exija a presença de um apoio na hora de fazer a lição de casa. Ela necessita de segurança. Agora, não esqueça que a tarefa é um compromisso da criança com o aprendizado e com o professor.
Um abraço e um ótimo estudo com seu filho(a). Certamente ele (a) vai adorar!


quinta-feira, 16 de abril de 2015

A infância está morrendo



Vivemos em um mundo cujo sistema social está promovendo o aniquilamento da infância. Eu tenho testemunhado esse “genocídio” ao longo de minha carreira de educador, pai e mais recentemente com um olhar psicanalítico. Tenho observado com mais refino a alma humana e o comportamento social de nossas famílias e crianças. Quando eu era mais jovem, o grande vilão era a TV e os programas infantis. Lembro-me de debates acalorados na universidade quando a questão em pauta era um programa matinal apresentado por uma famosa modelo em uma emissora líder de audiência. Tal programa era acusado de roubar a inocência das crianças e aniquilar a infância. Diziam que a programação erotizava as crianças e incentivava o consumismo. Em trajes adultos, em meio às danças sensuais e embalados em consumo rápido, as crianças foram sendo submetidas a um enorme apelo psicológico que as tirou das brincadeiras sadias de outros tempos.
O excesso de estímulos, atividades extras curriculares, jogos eletrônicos e os smartphones, acabaram processando mutações na mente infantil. A era da Internet, chegou com mais força do que a era da TV e hoje a exposição em redes sociais e sites com diversos conteúdos impróprios ao universo infantil contribuíram para tirar as crianças das brincadeiras de roda, queimado, corda, pião, bola e pique-pega. As crianças tornaram-se impulsivas, agitadas, desconcentradas e instáveis emocionalmente. Estão em vários casos mergulhados em conflitos do mundo adulto, sem que suas imaturas emoções sejam preservadas. Há muitas crianças no “olho do furacão”, no meio de conflitos litigiosos entre pais separados. Estão com a agenda cheia de compromissos: esporte, língua estrangeira, música etc. Estão se preparando para um futuro competitivo. A escola recheada de laudos e diagnósticos como TDAH (Transtorno do Déficit de atenção e Hiperatividade) e os pais inquietos e com pressa, querendo resolver tudo nos grupos de WhatsAPP. A ansiedade tomando conta de tudo.
O cientista e médico psiquiatra Augusto Cury, escreveu em sua obra Ansiedade (como enfrentar o mal do século), Ed. Saraiva, que crianças e adultos estão sendo atingidas hoje pela SPA (Sindrome do Pensamento Acelerado). Esse distúrbio bem parecido com o TDAH tem acometido cada vez mais pessoas, principalmente na infância. Ele classifica como sendo o mal de nosso século. Dessa forma, ansiedade, depressão e fobias diversas tomaram de assalto a vida de nossas crianças e adolescentes. Precisamos estar atentos! Temos que ter coragem para refletirmos sobre os nossos modelos e sobre o que de fato estamos construindo com e para os nossos filhos. Precisamos respirar um pouco, sair da confusão, ignorar as exigências que a nós tem sido impostas. Necessitamos olhar para o nosso interior, acolher afetuosamente os nossos filhos e deixarmos eles brincar. Eles precisam ser crianças. Vamos encontrar meios para devolver a eles a infância perdida, a deliciosa meninice. Como fazer? Comece por oportunizar grupos de amigos reais e não virtuais, garantir encontros para brincarem e limitar o uso da Internet.
Precisamos sim ter acesso às maravilhas da tecnologia, preparar os nossos filhos para a vida, mas se faz necessário guardarmos um tempo para humanizar as nossas crianças e adolescentes. Vamos reintroduzi-los ao maravilhoso mundo da imaginação e do faz de conta. Eles precisam ser crianças, para se tornarem adultos felizes.


sexta-feira, 10 de abril de 2015

A Família, a Escola e o aprendiz: as dificuldades na aprendizagem e as relações familiares



Em meio as transformações que o mundo vivencia nesse Século XXI que avança, na busca por tentar entender o sujeito, como parte integrante de toda essa transformação, a psicopedagogia busca o entendimento acerca das diferentes redes relacionais estabelecidas. O aprendiz, agora “entorpecido” pelas influências desse mundo em movimento precisa ser compreendido e analisado através de um olhar novo, que esteja também sintonizado e conectado com todas essas mudanças.
Nesse mundo de tantas mudanças, precisamos posicionar o ser (sentido sujeito), como um elemento essencialmente integrado a um contexto sócio-afetivo em que escola e família constituem o palco onde ele encena os papéis de sua vida. Assim sendo, a escola através de seu serviço de psicopedagogia deve conhecer e desvendar a posição do aprendiz em sua escola, mas também em sua família. Sabemos que crianças e jovens comprometidos emocionalmente ou organicamente respondem a uma intervenção com sucesso, desde que o núcleo familiar entenda e aceite a leitura e o prognóstico da situação que está interferindo na aprendizagem ou mesmo no relacionamento interpessoal do sujeito.
Temos claro como escola que a tarefa fundamental de nosso trabalho é promover a boa aprendizagem e a perfeita sociabilização de nossos alunos. Contudo, a aprendizagem depende de elementos que estão associados às experiências extraescolares, ou seja, na família de cada aprendiz. Aprender depende de investimentos no ensinar, mas exige muito das possibilidades sócio-afetivas de cada sujeito. Vale dizer que a aprendizagem vai acontecendo à medida que a criança vai construindo uma série de significados que são resultados das interações que ela fez e continua fazendo em seu contexto sócio-afetivo. Sabendo que a família é a estrutura social básica e o primeiro núcleo de construção do sujeito, aí está a razão para darmos tanta importância à família, para que crianças e jovens consigam uma boa aprendizagem.
Um núcleo familiar estável e acolhedor assim como motivador e estimulante se faz necessário para otimizar a aprendizagem. Tem que ser um núcleo familiar que provoque em seus membros o sentido de pertencimento. Tem que ser gostoso estar em casa. Tem que ser prazeroso relacionar-se com os demais membros da família, mas tendo a individualidade respeitada. Família, independente de sua constituição tradicional ou não, tem que promover o desenvolvimento emocional de cada membro. É preciso avançar, aceitar as mudanças e observar o que o mundo tem de novo. Manter valores cristalizados em uma instituição social (pois família é instituição social) que evolui, é no mínimo trazer os conflitos do passado para dentro de seu núcleo familiar de hoje.
Hoje é consenso entre os especialistas que não bastam e não são garantia para uma boa aprendizagem somente os estudos, um bom projeto pedagógico e professores competentes. É preciso mais! Cabe a escola e a nós educadores, construir respostas e instrumentos que atendam os novos tempos que aí estão. A escola é uma instituição que tem uma pauta de desempenho socialmente bem definida e historicamente situada. A execução adequada e competente desta tarefa é que estabelece e constitui sua importância e sua função social. Aderindo aos chamados desse novo mundo a escola tem que inovar. Atender esta inovação não é só aderir as ferramentas tecnológicas de ensino, mas também provocar mudanças de mentalidade. Acolher nossa vocação institucional e ajudar famílias que se encontram com necessidade de apoio em casos devidamente diagnosticados nos motiva e nos deixa radiantes de felicidade.