terça-feira, 28 de outubro de 2014

O que é uma paternidade atenta?



Em setembro, quando visitei minha mãe em nossa cidade natal, aproveitei para fazer compras de livros em um sebo. Por ser uma cidade universitária, Juiz de Fora possui várias livrarias e inúmeros sebos, que eu adoro frequentar. Deparei-me em um deles lá com uma preciosidade: Nossos Filhos, nossos mestres, de Myla e Jon Kabat-Zinn. Uma obra fantástica que nos inspira a descobrir como o convívio com os nossos filhos pode nos trazer alegrias diárias. Gostei muito de um capítulo cujo título estou utilizando aqui em meu ensaio, que tem como propósito compartilhar com você o pensamento de Myla e Jon. Jon é docente em uma faculdade de Medicina em Massachuetts e Myla, uma ativista atuante em uma organização de educação. O casal tem três filhos e na relação com eles é que resolveram mergulhar nesta questão.
A paternidade atenta nos convoca a despertar com uma nova consciência e uma nova intencionalidade para as possibilidades, os benefícios e os desafios da tarefa de criar filhos, não só como se o que fizemos fosse importante, mas também como se nosso engajamento consciente na educação de nossos filhos fosse virtualmente a coisa mais importante que pudéssemos estar fazendo, tanto para nossos filhos, quanto para nós mesmos. Você deve se perguntar o porquê que tenho sido recorrente nesse tema em meus artigos. Pois é, minha insistência se dá por estar percebendo que os pais têm tido muitas dificuldades na lida com os seus filhos. Por onde ando, percebo isso. Em um domingo, passeando com a família em um espaço maravilhoso, com direito a piscinas, área de lazer, animais e muito espaço ambientado para brincadeiras e descanso, vi um garoto de aproximadamente 7 anos de idade fazendo birra. Queria o que queria. Fiquei observando os pais... Sabe o que aconteceu? A criança se impôs, e os pais nem sequer tentaram gerir o problema e reverter a situação. Então, nossos filhos são nossos mestres. Se não tivermos a dedicação para educar, “seremos educados” por nossos filhos e, pior, na experiência de vida deles que é... nenhuma! O que é importante é dar a eles aquilo de que eles mais precisam a fim de crescerem e desabrocharem.
Na vida, enquanto procuramos criar nossos filhos e entender quem eles são, eles nos oferecerão muitos momentos felizes. Procurar entendê-los e não ceder para evitar o conflito é estarmos abrindo as janelas de oportunidades para conhecermos e também para que aprendamos com eles, aprofundando a nossa relação e testando os nossos limites e nossa capacidade de tolerância. Sei que ser pai e mãe é uma atividade desgastante também. Reconheço que nossos filhos muitas vezes nos pedem coisas que ninguém mais teria a coragem de pedir. Muito se dá pelo fato de que a nossa condição de pais e filhos nos deixa numa intimidade muito grande. Nesse processo, se estivermos dispostos, teremos a chance de nos vermos mais de perto também. As nossas emoções e reações são revelações do que se passa em nosso íntimo. Ao oportunizar às nossas crianças momentos de entrega e investigação do eu delas, estamos também tendo a oportunidade de darmos um mergulho em nossa condição de ser humano. Assim, estar atento aos filhos é também estar atento a nós mesmos.
De fato, ser atento aos nossos filhos é praticar um tipo de concentração, abertura e sabedoria que não só beneficia a criançada, mas faz um bem enorme para cada um de nós. Para escutar o desejo e as necessidades de nossos filhos, exige-se um silêncio em nosso interior, e é exatamente nessa quietude que estaremos mais preparados para enxergarmos além da nebulosidade. Assim sendo, consideremos o nosso trabalho de ser pai e ser mãe uma responsabilidade sagrada, que exige de nós entrega total. Sei que às vezes somos chamados a darmos muito de nós, mas hoje acredito plenamente que só nós, pais, é que podemos dar aos nossos filhos a garantia da felicidade e a sensação de plena segurança diante dos desafios da vida. Sei que em muitos momentos na relação com os nossos filhos, seremos produtos e portanto reprodutores de modelos. Seremos chamados a superar sentimentos adquiridos em nossa própria infância, mas sei que somente nós podemos ser o porto seguro de nossos filhos.
Deixemos de lado “padrões destrutivos” e “pesadelos de nossa infância”. Busquemos o equilíbrio na razão e o nosso alimento no amor. Atentos na educação de nossos filhos, teremos um espelho do que fomos em nossa infância. Teremos que ser sábios para praticar um “valor de educação”, em que o passado esteja presente, mas que não seja ele a única referência, o único modelo para os nossos filhos. Paternidade atenta nos garante um bom relacionamento com os filhos e nos convida a um reconhecimento maior de nossas emoções. Leiam o livro de Myla e Jon e certamente terão um novo olhar sobre os seus filhos.


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