segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Em casa, sou de um jeito; na rua, sou diferente


Não é incomum que crianças e adolescentes sejam diferentes em casa e fora de casa. O comportamento pode mudar sim. Geralmente, na escola, eles agem diferente do que agem em casa, mesmo postos diante de um mesmo problema. Alguns, na escola, são introvertidos, enquanto em casa são extrovertidos. Há situações em que na escola são levados, e, em casa, quietos.  Às vezes, acontece o contrário de tudo isso. E quando pais e escola sentam para conversar sobre a criança, parece-nos que falamos sobre duas pessoas diferentes.
Uma outra situação muito observada em nossos lares é a agressividade de um irmão com outro, enquanto na escola ele é uma “graça de pessoa”. Por que acontece isso? A agressividade em casa, justamente onde as crianças são tão carinhosamente acolhidas, significa um grande problema? Na verdade, não! À luz dos conhecimentos psicanalíticos, a agressividade, contraditoriamente ao que parece, não manifesta um distanciamento afetivo, mas o contrário. Ela denuncia que existe um vínculo e que ele é importante bastante para despertar a raiva. Acredite! Só sentimos raiva daquilo ou daquele que é importante para nós. Situação igual pode acontecer entre pais e filhos, principalmente quando estão entrando na adolescência. Momentos de muita agressão e raiva podem permear uma discussão entre pais e filhos. Mas, por que isso acontece? Acontece, pois os filhos sabem inconscientemente que precisam crescer, ganhar autonomia, ir para o mundo. E, ao  fazerem isso, quando encontram resistência dos pais... aí está o problema!
Muitas vezes, na escola, onde o espaço é apenas da criança, sem uma intervenção direta dos pais, ela manifesta ali o seu “eu” de forma muito natural. A escola geralmente é um ambiente seguro, onde os educadores permitem a manifestação da expressividade de cada um. O esporte, os eventos, os projetos transversais, a sala de aula, tudo é planejado e preparado para que a criança se manifeste, logo, não é para se estranhar que a criança se realize de forma diferente do que se realiza em casa: “A casa é o útero, a escola é o mundo”. É isso! A superproteção em casa, o zelo exclusivo, o afeto dos familiares oportunizam um ambiente diferente do escolar. Assim, a manifestação da criança se fará de forma diferente. Por isso mesmo, posso ter em casa uma criança ou um adolescente diferente daquele que tenho na escola. Muito natural. O que necessitamos é de sintonizar as práticas educativas do ambiente familiar com as práticas educativas do ambiente escolar. Se conseguirmos essa sintonia, teremos crianças mais consolidadas em seu “eu”, em sua personalidade. Como estamos lidando com formação de pessoas, a coerência escola-família e família-escola é essencial.
As crianças e os adolescentes possuem códigos e linguagens que necessitam ser compreendidos. Uma criança ou adolescente com comportamento na escola muito diferente do comportamento no lar, ou vice-versa, pode estar querendo dizer algo. Como eu disse, é natural que haja diferenças, mas é preocupante se essa diferença for muito acentuada a ponto de termos duas personalidades em questão. Sabe como se resolve tudo isso? Inicialmente, conversando e alinhando procedimentos comportamentais com a escola, e, ao mesmo tempo, dando espaço em sua casa para que seu filho também se manifeste. Que seja lido e ouvido. Entendido e amado. É essa a fórmula.
Estamos juntos na missão de educar nossas crianças e adolescentes para a vida. Conte conosco!

3 comentários:

  1. Tipo, eu sou o contrario disso, não consigo me sentir a vontade na escola sou tímido demais mas em casa eu sou quem eu sou de verdade. Qual a explicação disso? Preciso de uma ajuda porque minha timides extrema esta começando a me prejudicar...

    ResponderExcluir
  2. Olá! o que observo é uma alteração de comportamento em ambientes diferentes. Você está mesmo feliz nessa escola? Há algo que lhe incomode por lá? Procure responder essas perguntas e ter um momento de reflexão com a orientação educacional de sua escola. Certamente lhe ajudarão.

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir