quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Você tem um filho ou filha favorito?



A maioria dos pais já respondeu à seguinte pergunta: “Qual é o seu filho favorito?” Já ou não? A maioria afirma que todos os filhos são iguais e que não existe distinção no tratamento. Será que não há mesmo predileção por alguém? Veja bem, isso acontece e temos que cuidar para que a predileção por algum não signifique a rejeição de outros, pelo menos na forma como os outros podem encarar essa preferência do pai ou da mãe por um de seus irmãos.
Digo isso, pois, como sabem, tenho vários filhos e sou um dos quatro filhos de um casal que formou uma família. A mim, sempre pareceu muito claro que meu pai preferia minha irmã mais velha e minha mãe, meu irmão mais novo. Em casa, com meus filhos, tento não demonstrar preferência, mas tenho consciência de que ela se dá até mesmo por afinidade de gênio.
       A psicóloga norte-americana Ellen Libby, que lançou o livro “The favorite Child” (A Criança Favorita), defende em sua obra que, se não aceitamos a predileção por algum filho e não lidamos bem com isso, podemos, sim, criar recalque nos outros. “Ter um filho favorito não é violação de um código moral. Um pai não é igual a uma mãe, assim um filho não é igual a outro” (Libby). Não se trata de amor. Não deixaremos de amar alguns filhos por termos predileção por um. Agora, é preciso muito cuidado na relação que os pais estabelecem com os filhos prediletos. Há risco de impactos negativos na criação do “filhos preferidos”. Filhos preferidos costumam achar que tudo podem e que estão acima das regras.
       A psicóloga brasileira Ida Bechelli, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma: “Os filhos não favoritos ou se intimidam ou passam a tentar imitar o outro, ou seja, eles acabam deixando de ser eles mesmos”. Por isso escrevo esse ensaio. A ideia é provocar uma saudável discussão. Ao não protegermos os filhos do natural favoritismo por um, não estamos instalando um problema em casa? Pois é... tenho pensado e estudado tudo isso. Como pai, para proteger os demais filhos que tanto amo; como educador, para entender melhor as consequências da relação pais e filhos e seus reflexos na escola.
        O assunto é tão atual e importante que a revista Época, na edição de 03 de outubro de 2011, trouxe a matéria intitulada: “Quem é o queridinho do papai?” em que outros estudiosos no assunto foram citados, como o norte-americano Jeffrey Klugger e Laurice Kramer da universidade de Illinois. É isso, o assunto é tema de estudo em todo o mundo e a matéria discorre sobre o assunto, suscitando nos leitores boas reflexões sobre a questão. Para a socióloga Ioga Ingrid Connidis, na vida real é preciso aceitar as diferenças e entendê-las. “Não se ama menos, ama-se diferente”.
Assim, não vamos nos permitir sentir dor na consciência por termos afinidade maior com um filho ou filha. Mas precisamos garantir a nós mesmos e a eles que não vamos, por isso, preterir os demais na entrega e no carinho, pois eles podem se ressentir, sem conseguir identificar (e verbalizar!) o motivo de sua dor. No mundo do emocional devemos estar atentos a todos os sinais que vêm de nossas crianças e também, e principalmente, devemos nos manter atentos aos nossos atos diários na relação pais e filhos. Que Deus nos ilumine!


Referência:
 LIBBY, Ellen Weber – The Favorite Child – Título original. Kindle Editora – EUA. 
 BECHELI, Ida. Psicóloga. Departamento de Pediatria, UNIFESP – São Paulo. 
 Revista Época. Edição de 3 de outubro de 2011, p. 96 a 99.

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